domingo, 5 de abril de 2015

A JANELA SAGRADA DO LESTE


Para missionários cristãos existe um conceito técnico-geográfico no âmbito das religiões, e digo, das grandes religiões da humanidade, que nomeia uma região do mundo que foi menos cristianizada, onde o cristianismo é minoria insignificante, às vezes sujeito a perseguições e discriminações violentas. Onde, na sua visão, é preciso que se lance as redes da pesca de almas para Cristo com mais intensidade. Este conceito dos missionários que agora exponho é a chamada JANELA 10/40, um gigantesco retângulo emoldurando vastas regiões do mundo onde a  religião do Carpinteiro do Universo não teve uma profunda penetração, nem no passado nem agora. É curioso que o cristianismo, originado dentro desta mesma janela, não a tenha dominado como fez no restante do mundo e ido surpreendentemente se instalar em áreas de povos não semitas e sim jaféticos, indo como uma imensa ameba (com todo respeito) fagocitando as culturas e religiões tribais europeias, deixando de fazer o mesmo na Palestina de onde se originou ou nas vizinhas África e Arábias. Existem cristãos nestes lugares, mas são minorias. Não dominando a região onde se originou, deixando isto para o Judaísmo e o Islamismo, o Cristianismo pulou o Grande Mar (Mediterrâneo) e foi sentar bases na Europa definitivamente e posteriormente se espalhado pelo mundo indo de carona nas grandes navegações e com isso tomando de conta das Américas e o resto do mundo, menos a dita janela 10/40 de onde ele saiu.
Não sei e também nunca li em lugar nenhum o motivo de o Cristianismo não ter tomado de conta da Península Arábica e indo avançando em direção ao Oriente. Naquela época inicial não havia o Islã embora o Hinduísmo a época já estava contando milênios. Não arrebanhando o povo de Moisés foi para o norte além-mar. E...é interessante, ele se desenvolveu nos primórdios em volta do Mar Mediterrâneo, depois subiu para o resto da Europa e recuou no norte da Africa, neste caso pelos ataques sarracenos. Veja este vídeo :

A HISTÓRIA DAS RELIGIÕES



Vendo a animação podemos observar um curioso desenvolvimento da expansão do Meme Cristão (concedamos) que simplesmente foi expulso da Janela 10/40 e se espalhou por todo o Globo, menos nesta janela. Missionários não faltaram, foram até mesmo no extremíssimo Oriente e em algumas partes da África advinha quem foi servido no almoço? Mas nesta região das coordenadas 10/40 o Cristianismo simplesmente não pegou. Por que será?


Eu também não sei, mas podemos aventar uma proto-teoria provisória (hipótese). O Cristianismo não fincou raízes no Oriente de onde surgiu porque como o seu fundador mesmo disse, o Cristianismo estava atrás das ovelhas perdidas da casa de Israel (refugos ou extraviados do Judaísmo). Sua cata era individual, buscava pessoas insatisfeitas com suas religiões tradicionais. Ou seja, a rede de arrasto cristã não objetivava uma nação, uma cultura, um aglomerado urbano sólido, subverter uma civilização e transmutá-la. Não fez isto em Israel, nem em nenhuma Civilização Oriental. Estava atrás tão somente da Ovelha Perdida, da moedinha perdida, do filho  pródigo que abandonara instituições milenares e tradicionais, da alma individual que arriscava cair em danação. Cristo ( o médico) não veio procurar os sãos, mas os doentes. Veio recolher os párias sociais, os inadaptados, os rejeitados, os pecadores, os lascados mesmo. Ué, não foi isto o que ele sempre disse? 

Moisés fundou Israel, Maomé fundou a Civilização Islâmica. Jesus não exatamente fundou uma Civilização Cristã. Este não foi o objetivo principal.  Talvez por isto o Cristianismo não vingou na janela 10/40 por ser muito antiga e estabilizada civilizacional e religiosamente. Então, excetuando-se a civilização Romana que o Cristianismo digeriu, ele avançou pelo mundo incorporando todas as CULTURAS TRIBAIS. Transmutando os seus usos e costumes, ritos e cultos pagãos em coisas cristãs, realmente fagocitando  e assimilando tudo. Ao passo que os canibais comiam os missionários, a religião dos missionários comia a cultura do canibais. (Veja um exemplo  disto neste texto aqui que critica o Catolicismo por ter durante milênios absorvido costume de povos que converteu:  

Os Feriados de Origem Pagã e Como Foram Adotados no Mundo Ocidental)

Malvadeza dos católicos? Que tal trocar este sacrifício:






por este?:




Realmente acho que é melhor. Mas retrogradando um pouquinho no que falávamos sobre o Cristianismo veja isto: 


"Tanto o Judaísmo quanto o Hinduísmo possuem meios de exteriorização de sua tradição, para que o indivíduo possa vê-la e assimilá-la posteriormente. Isso é algo que o Cristianismo não dispõe. Todas as sociedades cristãs foram modeladas temporalmente pelos costumes locais. A Europa Medieval espiritualmente foi moldada pelo Cristianismo, mas temporalmente as instituições não se originavam do Cristianismo. Há uma descontinuidade entre o Cristianismo enquanto religião e as sociedades cristãs. As sociedades são arranjos provisórios para facilitar a vida cristã dos sujeitos dessas sociedades. É como um quarto de hotel: você até pode adaptar uma coisa ou outra para sua estadia, mas o quarto não será a expressão da sua personalidade, como seria uma casa, por exemplo. É isto que Cristo quis dizer com "Meu Reino não é deste mundo...". (Fonte)

Tendo isto em vista fica mais suave entender porque era tão difícil para o Cristianismo inicial (e mesmo hoje) penetrar e dominar as sociedades antigas, de instituições sólidas, como os vizinhos Egito e a Babilônia. O Judaísmo escaneou o Cristianismo e passou o antivírus. Imagina a antiquíssima Ìndia. Só não entendo por que o Cristianismo não dominou a península tribal arábica contando com 630 anos de vantagem no páreo. (Páreo de Pégasos alados para ficar mais honroso)


Continuando a citação:


"Só tinha um meio de ter uma amostra do que é Cristianismo e por que deveria ter aquilo: os exemplos de santidade. Cristo não propõe a seus discípulos imediatos (apóstolos) meios de regenerar a sociedade. A história do Cristianismo não é a história das sociedades cristãs, mas é a história dos santos. Também não é a história dos padres, bispos e papas. Como ser cristão é uma realidade interna, e não externa, há um meio diferente para identificar quem é cristão: amar-vos uns aos outros como eu vos amei. Por isso não há "maus cristãos", mas "falsos cristãos".(Fonte)

Tendo isto na mente a impenetrabilidade da janela 10/40 fica mais fácil de ser entendida e o sucesso do Cristianismo face as culturas tribais de todo o mundo, menos Roma. Ao reboque dos governos e instituições imperialistas/colonialistas que se espalharam pelo mundo o Cristianismo foi se expandindo junto com o Estado nacional do qual era "aliado". As citações acima também elucidam o motivo, o  por quê de  o Cristianismo não ter dominado a Índia mesmo o fato de a Inglaterra cristã a ter dominado e ocupado por uma longa duração de tempo. Sendo muito difícil uma Cristianoformação do ambiente cultural da India, que tinha uma atsmosfera espiritual muito densa para uma religião cujo "reino não fosse desse mundo", o Cristianismo logrou sucesso nas Américas em tribos culturalmente mais rarefeitas e fragmentárias. Talvez se constantino não tivesse oficializado o Cristianismo em Roma seu destino teria seria outro. Não teria conseguido assimilar a cultura romana.  E se a mensagem cristã fosse dar a Deus o que é de Deus e dar a Deus mesmo o que é de Cézar, o como fez Maomé (Mohamed?)  sendo um lider secular e religioso unificando as tribos árabes , quase com certeza o Cristianismo teria conquistado a Penísula Arábica e quem sabe, não haveria hoje homens-bomba, maridos pedófilos, rostos desfigurados por ácidos, decapitações, apedrejamentos, etc.

Continuemos:

"Para entender o Cristianismo, é necessário entender os cristãos, e não suas sociedades. Quem julga o Cristianismo pelas sociedades não entendeu o que é Cristianismo. Quem não cumpre o critério para ser cristão não é discípulo do Cristo, ponto. Se há aqueles que dizem ser cristãos, mas não o são, é pelo motivo que é impossível em uma sociedade excluir os maus. Judas Iscariotis é o primeiro deles, e uma espécie de símbolo da presença de falsos cristãos em meio dos cristãos." (Fonte)

Sim, é muito interessante, prossigamos: 

"Quando Moisés resumiu o Judaísmo, ele fez isso pelos Dez Mandamentos, que são normas rígidas, precisas. Quanto Cristo resume o Cristianismo, ele o faz no Sermão da Montanha, mas não são normas rígidas, exteriormente falando. É uma diferença muito grande em relação às outras religiões: o Cristianismo não é uma proposta social ou civilizacional, mas uma proposta pessoal, para o qual há o testemunho da História de que ele funciona." (Fonte)

Xeque-mate na explicação de porque o Cristianismo não consegue vencer a maciça janela 10/40 civilizacionalmente .

Ainda:

"A primeira e segunda geração do Cristianismo (os primeiros 50 anos), quatro tipos de pessoas se convertiam: (1) os judeus que tinham consciência de ter pecado em abandonar sua relação pessoal com Deus, (2) as camadas mais pobres da população do Império Romano, isto é, pessoas com forte senso de privação, (3) membros da aristocracia romana que estavam cientes da decadência da sua classe e (4) pensadores e filósofos virtuosos de cunho helenista, que possuíam uma forte sensação de estarem separados do objeto de seu conhecimento, uma forte sensação de isolamento." (mesma fonte)

Cristo foi colhendo o dracma, a ovelha perdida e o filho pródigo sem o objetivo de Cristianoformatar a sociedade e instuições, mas sim as almas individuais. Sim, está claro isto ai...

Sendo assim, foi por isto que civilizacional e em alguns casos populacionalmente...

Cristo, o Deus encarnado...

Perdeu para Maomé ( um homem apenas, mas talvez enviado pelo próprio Deus para segurar as pontas espiritualmente enquanto o Cristianismo tomava de conta de outras áreas continentais):
Perdeu para Sidarta Gautama (Ghotama?) (Que prometeu não a Salvação que só Cristo pode dar, mas a Iluminação através de um monstruoso sacrifício  e renúncia pessoais. Sendo o Budismo uma religião muito parecida com o Cristianismo em muitos aspectos como o fato de não ter vingado no seu Pais de origem e também assim como fez Constantino, ter o Rei Assoca institucionalizado o Budismo como religião oficial possibilitando seu aumento.)


Perdeu para o Hinduísmo, que fagocitou e diluiu qualquer tentativa de aproximação do Cristianismo o tratando como mais uma forma de expressão do Sanatana Dharma, Lei Eterna.:

Mas Deus é onipotente, e sabe o que faz. Já ouviu falar da  FATOR  MELQUISEDEQUE?  


Continua...
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DIGITANDO


terça-feira, 24 de março de 2015

DISTOPIA - HISTÓRIAS DISTÓPICAS

Um dia desses comprei um DVD pirata na feira com o filme de título: DIVERGENTE. O filme conta a história de um grupo de pessoas que não se enquadram numa determinada sociedade totalitária ou autoritária (este tipo de filme geralmente é ambientado no futuro, mas não sempre) e lutam contra ela numa tentativa de revolução e libertação. Este resuminho sintético (seria isto uma redundância?) do filme classifica ele (classifica-o) como uma DISTOPIA.
Distopia é o inversamente simétrico de Utopia. Os dois são irreais e não existem no nosso mundo não-ficcional (Talvez um pouco de  cada um). Ao passo que a Utopia possa ser reconhecida como um lugar de sonhos, de prazer e felicidade absolutas (lugar nenhum) a Distopia como o prefixo salienta (dis- dificuldade,  privação, negação) pode ser encarada como um lugar ruim, opressivo, manietador. Embora as histórias distópicas variem infinitamente em detalhes todas possuem as características que falei no começo. (Sobre as características de livros e filmes de distopia veja estes textos interessantes aqui: distopia 01, distopia 02 e  o melhor que achei aqui : distopia  03 ).
Diante destes textos supralinkados só posso acrescentar pouca coisa. Este gênero de romance e filme foi ( e ainda é ) um dos meus preferidos e não deixo passar batido quase nenhunzinho sequer sem assistir ou ler quando algum passa pelo radar de meu horizonte de consciência. O primeiro livro deste tipo que li foi o Admirável Mundo Novo e depois 1984. Se fosse me lembrar (lembrar-me) de todos os filmes e livros distópicos que já assisti e li levaria muito tempo para escrever a lista. É isso, eu gostcho muito deste genêro e fazendo uma retrocognição não sei (ainda) por que aprecio este tipo de história... 
Mas gostaria de acrescentar, ao mencionar distopias ainda algumas coisas.
Para mim um filme ou livro para ser considerado distópico precisa ter dois ingredientes que o caracterizam inconfundivelmente como uma distopia. Uma população controlada mental e/ou geograficamente. Ou seja em quase todas as história que eu pessoalmente considero do gênero distopia estão presentes estes dois fatores que na minha visão ampliam o circulo do gênero e fazem conglobar dentro dele mais  alguns filmes e livros que geralmente não são considerados distopias. Dois traços absolutos de uma distopia para mim: Uma sociedade aprisionada em duas membranas:


1) Barreira Ideológica/psicológica.

 2)Barreira Espacial-geográfica.


Uma população sob controle ideológico/psicológico e restrita e aprisionada e um território cujo algum individuo e posteriormente um grupo tenta escapar ou sublevar é a minha noção de uma distopia. Sendo assim o filme a VILA que não apresentar nada de tecnológico e apesar de se passar aparentemente dois séculos atrás é um filme distópico clássico para mim. Neste caso a primeira barreira, a da IGNORÂNCIA era a única. A barreira física era mantida pela barreira psicológica do temor D'AQUELES DE QUEM NÃO FALAMOS. Neste aspecto da barreira de ignorância (não sem o complemento até maior da barreira física em alguns casos)o  mesmo posso dizer do filme CUBOMaze Runner: Correr ou Morrer  entre outros. Neste tipo de filme distópico os protagonistas não são nem mesmo enganados por uma cosmovisão falsa ou uma ideologia. Eles não sabem é de absolutamente nada, nadica de nada que seja exógeno a sua sociedade ou micro-sociedade ou agrupamento de pessoas. E isso os mantem presos na distopia. Geralmente o mocinho nos filmes distópicos é o primeiro a remover esta barreira espiritual que aprisiona os membros da civilização ou sociedade distópica. Este é o passo preliminar para que depois se lute fisicamente contra as forças militares (materialização da segunda membrana) que tentarão eliminar ou restringir os protagonistas dentro da distopia. Nenhuma visão, uma visão falsa ou distorcida é o primeiro círculo de constrição que precisa ser rompido para a libertação de uma sociedade distópica (Parece com o Budismo, credo, há há). Neste sentido só não considero o filme o Show de Truman uma distopia porque não há uma sociedade no caso, mas apenas um indivíduo completamente imbecilizado pela ignorância. Se Truman tivesse uma esposa (que também não soubesse de nada) e filhos, para mim o filme já seria uma distopia. Interessante, eu não tinha ainda prestado atenção nisto mas ocorreu-me agora. Encarado desde este ponto de vista de uma distopia ser uma sociedade circunscrita por duas barreiras, uma espiritual e outra física, o filme Matrix é a pior distopia, o limite máximo que os autores de ficção já chegaram (até agora) de uma escravidão humana. Os humanos em Matrix além de terem os corpos aprisionados em casulos, (sem terem nem mesmo usado os olhos verdadeiros para enxergarem) vivem em um mundo de uma fantasia que além de ideológica, psicológica, é neurologicamente, sensitivamente falso. Nas outras distopia pelo menos as coisas materiais são verdadeiramente reais. Somente sua cosmovisão é afetada.  Um outro extremo absurdo é o mundo distópico em O PREÇO DO AMANHàonde os pobres personagens além de serem limitados psicologicamente, e também territorialmente no ESPAÇO, são limitados no TEMPO, ou seja, os mais pobres precisam trabalhar para ganhar as horas de vida para serem usadas no dia seguinte. A tônica do filme é a luta por tempo de vida. 
É engraçado, sempre que assisto um filme comprado em camelô, depois vou deixar  para minha irmã, que tem uma coleção de filmes. Ao entregar para ela divergente, ela olhou a gravura da capa do filme e perguntou :

  - "É filme de : CONTRA O SISTEMA?!" 

Ou seja, ela classifica distopias como filmes contra o sistema. Esta aí uma boa definição. 

Veja um exemplo de distopia em um conto virtual aqui: (ZIGOTO - Inocência Controle Rígido) onde o título já descreve que uma forma de controle da elite distópica é manter os membros subalternos numa espécie de ignorância infantil (embora inocência seja etimologicamente ausência de culpa). Nesta história as duas membranas, digamos assim, estão presentes, a ideológica/psicológica e a que será usada posteriormente caso a primeira falhe que é a territorial, geográfica que acionará o exército ou outra força militar para manter os membros dentro de seus limites:

Neste lista que achei AQUI, existem algum filmes que não considero distopias como por exemplo Guerra Mundial Z ou Robocop pois não apresentam os dois traços que expus acima. Também não considero Laranja Mecânica uma distopia pois neste caso se trata de um grupo de rapazes psicopatas desajustados vivendo numa sociedade normal. Ou seja, é o contrário das duas características acima. O experimento científico é feito com um único indíviduo, não há uma sociedade inteira aprisionada na mente e no corpo.
Embora em quase todas as histórias (distópicas ou não) os dois instrumentos das forças adversas e antagonistas estejam presentes, que são a FRAUDE e a FORÇA (a última geralmente só sendo usada quando a primeira falha) ou a ILUSÃO e a VIOLÊNCIA , nas distopias, para ser uma distopia de verdade elas devem ser usadas contra toda uma população, com uma cosmovisão monocórdia, homogênea e um brutal isolamento espacial dos elementos desta coletividade. A violência e o engodo são institucionalizados para o grupo social completo. Às vezes não há nem mesmo um mundo exterior livre e a civilização é fechada em si mesma com uma visão de mundo que embora seja errada e distorcida seja a única que existe como em THX 1138 por exemplo e FUGA DO SÉCULO XXIIII ou METRÓPOLIS.  Em THX no final, "O Sistema" decide não mais perseguir o protagonista principal
ao concluir que a despesa de ir no seu encalço sairia mais caro financeiramente do que deixá-lo partir. 

Creio que uma das principais mensagens das distopias seja que quem controla as informações controla o fluxo dos acontecimentos e a sociedade. No filme O DOADOR DE MEMÓRIAS podemos ver que até mesmo as emoções são controladas. (da mesma forma que em THX ). Como se um braço coletivista-estatal tentasse penetrar na subjetividade individual controlando-a. No enredo deste filme todas os pensamentos associados a emoções negativas são apagados nas pessoas. Alguns indivíduos são escolhidos para armazenar estas informações negativas e passar para a próxima geração, mas, escondido da população em geral, quem não sabe nem mesmo o que é uma guerra.
Em Fahrenheit 451 é simbolicamente saliente o fato de um grupo de servidores estatais denominados Bombeiros, ao invés de extinguirem incêndios como a denominação nos faria achar, sua profissão é localizar e queimar livros. Algo que é proibido nesta distopia. Controle de informação é um elemento da barreira ideológica psicológica de uma distopia, se esta falhar... porrada. É parecido com o que faria um maníaco sexual. Primeiro ele tenta seduzir a vítima fêmea com uma conversa falsa. Se esta falhar ele poderá usar algo como um "boa-noite-Cinderela" (um controle químico como o Soma de Huxley), então se tudo falhar ele pega à força mesmo. Assim fazem as elites distópicas com a sociedade delas.

Já existiu alguma sociedade distópica?  Creio que não, mas acho que a União Soviética e a Alemanha Nazista foram as que mais se aproximaram deste ideal. Na verdade Orwell o criador de 1984 criou sua distopia inspirado na URSS. Acho que alguns países islâmicos são como distopias. Com toda certeza sei que alguns que lerem isto automaticamente suscitarão, dialeticamente, a contraditória oposta ideologicamente: Não foi a Cristandade medieval uma distopia? Está de sacanagem... Primeiro, fisicamente, qualquer um poderia sair dos territórios ocupados por ela a qualquer momento que quisesse. Talvez houvesse é verdade um certo controle cognitivo e afetivo. Mas acreditava quem quisesse, quem ficasse calado não chamaria a atenção. E o controle era na maior parte apenas sobre doutrinas religiosas e pecados. Exercendo uma influência (ainda que avassaladora) e não um controle nos demais aspecto da sociedade. Cristo rachou qualquer germe de uma distopia cristã quando disse:


 Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (Mateus 22:21 

Na cristandade o Estado sempre foi laico, embora em certos trechos de sua história isto não fosse muito reconhecível. Mas houve abusos é verdade. Por falar nisto acho que algumas seitas religiosas realmente se aproximam de uma distopia conforme as duas características que mencionei, principalmente quando se retraem em comunidades isoladas. Já assisti um filme quando mais novo, um  episódio de Amazing Stories    onde em uma distopia havia uma punição para criminosos que consistia de uma tatuagem no meio da testa que identificava o infeliz como um "homem invisível", (creio que este era o nome do episódio). Ele simplesmente, enquanto portasse este estigma, não poderia se comunicar, nem mesmo ser encarado por qualquer outra pessoa desta sociedade. Isto o colocava numa situação dificílima para sobreviver. Nem mesmo enfermeiras em hospitais poderiam atendê-lo. Ao avistarem a marcar paravam imediatamente de falar com ele e o tratavam (tratavam-no) como se ele  não existisse. A marca era removida quando ele cumprisse os anos da pena. (Você poderia  me dizer o nome deste episódio ou localiza-lo para mim?). Bem, você sabia que existe um grupo religioso que criou de fato e de direito esta instituição? É um grupo cristão denominado Testemunhas de Jeová que criou para sim um Mundo Orwelliano onde a pena máxima é a desassociação. Um desassociado não pode ser encarado por uma Testemunha e não pode receber nem um simples oi. Esta pena geralmente é aplicada até mesmo aos parentes Testemunhas. Mas qualquer um pode sair desta religião quando quiser... nas distopias isto seria mais difícil. Pelo que eu sei a única religião que mata os dissidentes é aquela do crescente e da estrelinha. (Tá bom, eu admito que os sacerdotes católicos sapecaram alguns em século atrás)
Terminando creio que a verdadeira utopia seja o Paraíso e a distopia real seja o Inferno. 
Nos vivemos num meio termo com dores e prazeres, liberdades e privações. 

Absolutum


Adendo: Um amigo localizou para mim o episódio da distopia que mencionei, não era Amazing Stories e sim Além da Imaginação. O nome do episódio era : Para ver o Homen invisível. Assista aí:
Sem tirar nem por é exatamente isto que as Testemunhas de Jeová fazem com ex-membros, digite no Google:desassociação testemunhas de jeová, e saberá o que este grupo quase distópico inventou. (Já fazem 17 anos que saí desta m...)  Obrigado Marcus, matei a saudade desde episódio.