quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

JERUSALÉM - UMA CIDADE, TRÊS RELIGIÕES

Este é  o livro de Karen Amstrong que conta a história desta cidade desde as primeiras habitações há já cinco mil anos atrás até os conturbados, mas não menos do que antes, dias atuais. O livro nos ajuda a entender aquela pendenga que há entre palestinos e israelenses que não para de aparecer nos noticiários. Durante a duração (durante a duração - me espanca!) desta cidade santa, santa para cristão por ter sido o local da morte de Cristo, santa para judeus por ser palco de eventos bíblicos, santa para muçulmanos por ter sido o local de onde o fundador do islã subiu aos céus, podemos notar um verdadeiro troca-troca e revezamento de domínio, onde pagãos-cristãos-judeus-islâmicos-outros cada um por seu turno assumiram o comando da cidade e passaram a construir os seus templos. Já imaginou no local do templo contruido pelo Salomão bíblico ter havido duas estátuas de deuses romanos? A resposta da autora para o fato de Jerusalém ser um pomo de discórdia é que ela é uma cidade internacional religiosa por abrigar locais de importância fundamental para as religiões abraâmicas e por isso cada governo ou reino que assumiu o controlo da cidade teve que fazer concessões para as demais populações incrustadas em seu território mas de origem religiosa diferente.  Se fizéssemos uma filmagem milenar da plataforma onde ficava o templo e acelerássemos o filme poderíamos notar que os humanos brincaram de lego, montando e desmontando santuários encima do local num frenesi incessante, sem parar. Atualmente o local está assim, mas já tentaram por diversas vezes explodi-lo:

No local onde havia o Templo de Jeová hoje há uma mesquita muçulmana. E os judeus não podem fazer nada porque a área pertence a minoria islâmica.


É isso aí!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

QUADRA MALDITA

Recentemente assisti a dois filmes que achei razoavelmente bons. Um foi sobre caçadores de baleias (parece que a palavra pesca só serve para bichos pequenos e só peixes, não se pesca répteis nem mamíferos?)( NO CORAÇÃO DO MAR) e o outro JOGOS VORAZES, uma guerra num mundo opressivo alternativo, ou algo assim. Nós dois filmes os momentos mais emocionantes ou os turn points atigiram uma coisa que eu havia percebido há muitos anos atrás. O pico do filme, o momento mais dramático se deu quando eles em seu transcorrer ultrapassaram  supinamente o limite do ético e do moral esperado, quando foi gerada uma anomalia paroxística e aberrante da média das violações sociais esperadas e aceitáveis. Estes momentos do filme que menciono exemplificaram um tipo de TABU que eu havia percebido quando tentava escrever um livreto há um tempo atrás. Metaplasmei e contrai o livreto para o formato de uma postagem blogística. (O BODE EXPIATÓRIO) Estava pesquisando outro assunto quando a perfuratriz bateu na laje emperrou e começou ranger. Parei, retirei a sonda e busquei outro local mais maleável, mais confortável. Mas deixei registrado para quem sabe no futuro voltar a atenção para este tema desconcertante. Pela primeira vez na vida vou me autocitar para melhor esclarecer sobre o assunto que menciono:

Antes de fecharmos o texto (...) antes de atingirmos o clímax, gostaria de mencionar de passagem, dois desdobramentos que a pesquisa desta monografia nos apresentou. Uma não foi uma descoberta dessa pesquisa, mas um insight do Livro de Robert Richards, Sexo, Desvio e Danação, as minorias na Idade Média: nela ele nos apresenta a tese de que as minorias são acusadas não só das mesmas coisas que os primeiros cristãos foram acusados, como do que todos os outros povos, sejam pagãos ou não, acusaram os outros satanizados, ou seja, de ORGIAS, INCESTO, CANIBALISMO E INFANTICIDIO...


... estas práticas sendo a última barreira que nos separaria dos animais irracionais. Os "preconceituosos" satanizam então o outro ideal, com o que de pior pode haver no espectro moral, sendo estas coisas, um padrão recorrente nas acusações, no livro acima mencionado as minorias que tiveram acusações paralelas foram, os hereges, os bruxos, as prostitutas, o leprosos, os homossexuais e os judeus, sem falar nos mouros. O interessante é que no raiar da cristandade quando os bodes expiatórios eram os cristãos, eles antes de serem jogados aos leões, eram acusados de realizarem orgias, comerem crianças após sacrifícios hediondos e terem sexo interparentais. Lembro aqui novamente da acusação de que os comunistas comiam criancinha, um patente uso disto que estou me referindo. Sobre esta quadra terrível, ou seja,canibalismo-infanticidio-incesto-orgias, que se nos apresentou como sendo, se fossem praticas institucionalizadas, o último estágio na desagregação social e na destruição da raça humana, no mínimo, de seu caráter ontológico, não na sua biologia, mas em sua esfera cultural como HOMO SAPIENS SAPIENS. Estas acusações extremas nos revelaram que o bode expiatório é no fundo uma ameaça virtual a civilização, no imaginário do perpetrador...

...

... eu poderia aventar a hipótese de que este sonho, não seja apenas meu mas um sonho do inconsciente arquétipo coletivo dos homens e que seu temor ao outro, e o ódio ao outro e sua conseqüente satanizaçao e eliminação seja um medo atávico de que um dia isto realmente possa vir a acontecer numa humanidade futura e distante, onde o id governe soberano, os impulsos do tanatos sejam supremos e a cultura nada valha, onde os tabus, barreiras-pilares da civilização contra o incesto, as orgias, o canibalismo e o infanticídio tenham sido demolidos e com ela nossa humanidade. Sendo assim, seria o bode expiatório e sua destruição, uma destruição da ameaça a nossa humanidade, ou nossa civilização, numa falsa mitologia sacrificial. Esta realmente uma “ameaça fantasma”, ameaça esta que estaria dentro de nós mesmos, mas que projetamos nos outros...



Os dois momentos dos filmes que mencionei que  passaram além, que ULTRApassaram  as linhas desta quadra delimitante foram em :NO CORAÇÃO DO MAR o momento (spoiler) em que os sobreviventes do naufrágio do baleeiro se viram obrigados a CANIBALIZAR seus colegas, onde chegaram até mesmo a sortear quem seria a próxima vítima. Os momentos mais tensos, mais macabros do filme são quando isto é explorado. E é este ponto, (depois do ataque inesperado da baleia também) a coisa que todos queriam esconder. A abominação que o protagonista principal escondeu por décadas até mesmo de sua esposa. E que Herman Melville que escreveu MOBB DICK ocultou também. Somente culturas tribais em muitas partes do mundo foram canibalísticas, mesmo assim preservando os outros elementos da quadra. Geralmente foi em culturas monoteísticas e principalmente na Abraâmica que inclui o cristianismo-judaismo-islã que este OBJETO ESPECIAL que é o corpo humano foi tão dignificado, e protegido de uma profanação tipo a ANTROPOFAGIA. nos outros tipos de culturas isto é mais tolerado, mesmo no budismo tão certinho (quando toca em assuntos relacionados  ao corpo humano) este tabus são mais softs, como por exemplo os monges se autoincinerarem ou em lenda de monges se oferecerem para saciar a fome de oncinhas que estavam a baira da inaninção. É como se estas culturas tribais ou politeísta (ou Uteísta como o budismo) estivessem um pouco de fora do contorno das linhas antropogênicas que delimitam a figura humana. E o canibalismo abordado No Coração do Mar é um dos elementos desta figura. Por isto é tão chocante.

Em Jogos Vorazes todo o filme muda e o desfecho chega acelerado quando ocorre o tabu do INFANTICÍDIO perpetrado por um dos vilões, mais precisamente uma vilã, no filme. Todos se voltam contra o presidente Snow quando ele supostamente teria ordenado o bombardeio de crianças.  Sedo este INFANTICÍDIO o fator deslegitimador imediato do reinado deste ditador, colocando o país, a torto e a direito, contra ele.  Novamente em volta do globo culturas tribais e mesmo antigos povos em civilizações em estágios mais adiantado praticararam o INFANTICÍDIO. Em muitos casos, como o CANIBALISMO, o INFANTICÍDIO foi perpetrado sob o véu do RITUAL. Canibalismo ritualistico, infanticídio ritualistico. Para acabar de lascar tudo em muitos casos era os dois numa só cajadada. 

Como este assunto é muita areia para meu caminhão, admito, vou deixar aqui apenas registrado para os devidos fins de direito, sem dar maiores desenvolvimentos eu exemplificações contudentes. Quanto aos outros dois elementos AS ORGIAS e O INCESTO não mencionarei. Quanto as orgias a industria pornográfica está aí. Quanto ao incesto nunca assisti a um filme com este tema. Os dois são barreiras-tabus civilizacionais de cunho sexual. Parece que o incesto tinha incidência na elite Egipcia antiga. Para terminar:
Tanto os céticos-materialistas evolucionistas, como os espiritualistas-dogmáticos afirmam que as origens do homem não são exatamento de acordo com a forma como ele é hoje. A humanidade veio da animalidade dizem os primeiros ou seja veio do infrahumano. A humanidade tem origem espiritual, de Deus, dizem os segundos, ou seja tem origem suprahumana. Nós dois casos, os dois rivais culturais-filosóficos-ideológicos-etc estão de acordo num ponto. A maleabilidade, ductilidade, o humano pode ir para cima ou para baixo, evoluir ou involuir (a Queda). Os homens podem se torna SANTOS-SÁBIOS-HERÓIS ou PSICOPATAS-IDIOTAS-CRIMINOSOS. A figura humana, a forma humana, como até mesmo os transhumanistas concordam, não é pronta e acabada. Os animais serão sempre animais, os anjos serão sempre anjos. Somente os humanos podem ser superiores aos anjos ou inferiores aos animais. O enquadramento, o esquadro, o compasso, as coordenadas que balizam, amoldam, mantêm esta forma humana temporária passam por não violar os tabus constantes nesta quadra que mencionei: canibalismo-infanticídio-incesto-orgias.  Sendo estas coisas e seus derivados uma coisa que as culturas espiritualistas começaram  gradualmente a proibir há muito tempo. Gradualmente configurando-nos no que nós somos hoje: humanos. Disciplinando o sexo formo-use a família (anti-orgia), proibindo o incesto expandiu-se a raça humana pelo globo. Desnecessário falar sobre o infanticídio (onde o aborto está incluido) e o canibalismo. Nesta sentido as religiões é o cristianismo principalmente, foram o elemento primordial na antropogénese humana e as ideologias de fundo cientificistas hoje, são as principais forças responsáveis pela tentativa de arrastar a forma humana, a humanidade para uma região inferior ou infernal. 





ABSOLUTUM

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

UAI! O QUE QUE É ISSO?

Para exemplificar o encanto que uma pessoa pode ter com um simples nome, coloquei neste texto( FRASE PORTAL)  um link de um texto que lembrei-me e que tinha a forma aproximada da sensação que sentia a respeito do nome RIBEIRÃO DE AREIA. O texto seria O PINGADO, que li, presumo que, a mais de umas três décadas atrás. Ao procurar o texto coloquei o link sem checar, quer dizer, li meio que apressado, e vi pela estrutura do texto que ele mencionava o assunto que eu presumia ter tratado o texto que li na meninice. Ao ler depois com atenção o texto, fiquei encabulado com o fato de ser tratar aparentemente de um plágio, de uma montagem encima da sacação do autor que eu lera no passado. De certa forma o cara tirou a estrutura narrativa do texto e colocou na vida adulta do personagem narrador. O primeiro texto é um menino que fala, o segundo um homem casado. E ele raspa de leve as intimidades do casal. Ao ler o dois textos tenho quase certeza que o PINGADO foi tirado do SAI UM PINGADO.  Este último muito mais belo e rico literariamente. É... na internet fica difícil autenticar a autoria de um simples texto. Eu não tenho mais o livro do Sai um pingado mas se não me lembrasse deste texto pensaria que o autor do PINGADO fosse o mesmo autor do texto que tinha lido na infância. Leia os dois e compare. Não vou enviar um e-mail para o autor notificando a inspiração ou plágio por que não estou nem aí com isso....

QUE EU LI "ONTEM": SAI UM PINGADO de Arthur Riedel

QUE LEIO "HOJE": PINGADO de Aparecido Raimundo de Sousa.
Nos dois casos este é o tal do pingado:
Mas com certeza este não é o meu Ribeirão de Areia:

Até mais ver!