sexta-feira, 5 de novembro de 2010

ENSAIO 04/2010

LIMBO


Se existe alguém que é infinitamente livre este alguém é Deus. Deus não se contrai à nenhuma gênero, nenhuma espécie, é o indizível, o indefinido, o incatalogável e o ininquadrável. Nada o pode restringir, constranger ou limitar. Sendo assim ele e só ele existe na plena acepção da palavra. Ele é o SER. "Eu sou o que sou". O Absoluto quer dizer solto de tudo. As demais coisas só existem na medida em que tem participação com a realidade absoluta. Cortando-se a comunhão com Deus os outros seres entram imediatamente num processo de nadificação.  A tudo o que foi criado, dos seres sencientes aos seres inanimados podemos aplicar o conceito de LIMITADOS. Todos os entes que foram criados são contingentes. Devem sua existência à causa primeira, que não foi causada,  o motor que não é movido. Anjos, humanos e animais foram criados por Deus e por isto são escravos de parâmetros, de rotinas, subrotinas e ciclos matemáticos, lógicos, naturais etc. Quando Deus criou o mundo fê-lo dentro de padrões lógico-geométricos e de "leis" físico-químicas que impõe uma escravidão, um cerceamento sobre suas criaturas. Não posso respirar dentro d´água a não ser que crie um mini-sistema atmosférico, uma sub-rotina com um cilindro de gás respirável. Um mecanismo que reproduza as condições do ambiente que respiro naturalmente, desta vez colocando um simulacro de atmosfera  dentro de uma ambiência aquática num reduzido modelo  aeróbico.  Não posso voar a menos que "burle" as leis da gravidade por meio de equipamentos e dispositivos que levantem meu corpo do solo a que estou condenado a viver.  Todos os seres vivos vivem subordinados a rotinas e ciclos. Não podem quebrar estas rotinas e ciclos podem inventar (no caso dos inteligentes) dispositivos baseados nestas mesmas rotinas e ciclos que os permitam driblar as leis férreas a que estão submetidos. Vivemos dentro de um enquadramento, um conjunto cibérnetico que geralmente tem subconjuntos. Os entes autoconscientes também são limitados por leis que controlam a subjectividade, constrição esta muitas vezes advinda do suporte biológico destes seres. Ódio, medo, angústia, estresse e depressão existem na subjetividade por causa da herança animal. São programas ou vírus (apêndices atávicos) que assolam a inteligência e a vontade dos sujeitos. 
Quem quer que viva muitos anos a observar determinada faceta ou aspectos dos objetos, ou algum fenômeno por muito tempo chegará a apreender padrões recorrentes na natureza. Na verdade é da catalogação destes conhecimentos de padrões em sistemas que nascem as ciências. Existem coisas que sou obrigado a fazer. Tenho que beber água se não morrerei por desidratação. Meu corpo é um sistema que não pode viver sem água e o ciclo hídrico do meu corpo se repete décadas a fio para que eu possa continuar existindo como unidade biológica. Minha parte anímica, minha alma ou psiquismo obedece a parâmetros desta vez de ordem  psicológicas e lógica. 
O leitor se lembra de um programa de proteção de tela de computador que era um labirinto tridimencional? O programa mostrava a imagem de vários corredores interligados em compartimentos sem saída para o exterior subdividido por paredes de tijolos. O programa rodava e rodava de novo dentro de ciclos e rotinas. Se você observa-se por muito tempo, pelo acumulo de repetições, começaria a entender padrões e a  lógica interna do "jogo".  Aquilo é uma prisão atordoante, desesperadora se alguém tivesse que passar muito tempo dentro daquilo em 3D.
Estou persuadido de que todas as coisas criadas estão presas dentro de ciclos e rotinas de várias naturezas, e sendo assim todas as coisas relativas, incluindo quem escreve e quem está lendo este texto são escravos. A boa notícia é que podemos escapar desta prisão imanente mas somente através da obediência a esta imanência, compreensão, absorção  da mesma, só assim atingiremos a transimanência ou a  transcendência. Como disse o Cristo: "conhecereis a verdade, e a verdade vós libertará" , creio que isto se dá não apenas em sentido espiritual e moral, mas em todos os outros sentidos.
 O oposto , a desobediência e o desconhecimento dos ciclos e rotinas, do Karma, levará à mais restrições, a um estreitamento ontológico no nosso ser, no nosso tempo de vida e do  nosso espaço. Veja o exemplo dos criminosos que em violação as leis jurídicos-sociais  são jogados num limbo espacial restrito, os presídios e cadeias.
A violação das leis sociais acarreta punição em forma de restrição espacial. Se dentro da cadeia o infrator violar as regras internas do micro-sistema prisional ele será mais restringido ainda e irá para um cubículo chamado solitária. Uma prisão ao quadrado, uma restrição dentro de outra restrição. Você consegue imaginar outro estágio de restrição?
O mundo é limitado e contingente e por isso é uma espécie de "limbozão" para as criaturas que vivem dentro dele submetidos aos seus ciclos e rotinas. Na verdades, as criaturas como partes constitutivas do mundo apresentam em si mesmas na sua ontogenia e ontologia restrições e limites, ciclos e rotinas que se não forem obedecidas e conhecidas acarretaram redução ontológica.  Foi este o caso dos anjos que se transmutaram em demônios. Condenados ao abismo. A salvação cristã, o Nirvana, o paraíso mulçumano, o valhala, o céu e etc. São o escape transcendente da imanência do mundo, uma expansão ontológica. Já o inferno é uma redução do ente, uma constrição redutivista, um prisão no limbo de ciclos e rotinas cada vez mais apertados. Vivemos presos a estes limbos em sentido mental-cognitivo, como também ao afetivo sendo que a única parte de nosso ser que não está presa a nenhum limbo cíclico é  nossa VONTADE, a imagem  de Deus no homem. A parte verdadeiramente livre. O livre-arbítrio colocado no homem por Deus.
A   VONTADE é LIVRE, a cognição e os sentimentos não. Estes últimos obedecem a regras, estruturas intrínsecas, ciclos e rotinas. Você pode usar sua vontade livre para danar sua alma, numa redução ontológica, ou obedecer a Deus e crescer ontologicamente tendo cada vez mais liberdade.  Se aproximando do Divino, do Absoluto, compartilhando cada vez mais sua natureza livre, galgando degraus numa ascensão existencial.
PRISÃO LÍMBICA
Uma fila de um banco, de um hospital do SUS, é como uma prisão, uma fila é uma estrutura espacial restritiva coordenado indivíduos numa trajétoria  cronotópica para atender as necessidades dos  cidadãos. Você é obrigado a ficar estacionado, as vezes em pé por algum tempo. Ninguém gosta disto, uma fila é um limbo. Você fica preso ao deslocamento sequencial das pessoas. Sem poder ter acesso a outros estímulos a não ser uma prosa sobre banalidades.  Excetuando-se os castigos corporais, TODA PUNIÇÃO É RESTRIÇÃO, DIMINUIÇÃO. Da sua riqueza, no caso de multas, da sua capacidade de locomoção, ou direito de ir e vir no caso de penas de prisão. Uma cela é um limbo por redução de espaço e estímulos de possibilidades de ação e paixão.
Vou exemplificar alguns limbos desde muito fechados até mais abertos:
Nós vídeo-games temos exemplos de ações restritas por regras (Esta é minha definição pessoal de jogos - manobras dentro de regras) muito simples, lembre-se do mundo do PAC-MAN, com rotinas apertadas.
Existe um desenho animado  que é um limbo padrão, onde os dois únicos personagens obedecem ciclos e rotinas férreas e recorrentes, O desenho do Papa-léguas.
 Nesta animação da Warner Brothers o  Coiote vive única e exclusivamente para pegar o pássaro e este para fugir. O tema é o mesmo com infinitas variações. Se você nunca percebeu que aquilo é um inferno semelhante ao castigo de Tântalo ou de muitos outros no inferno de Dante vai começar a notar agora. 
Preso a premissas de aço o Coyote passa seu tempo em um presente eterno (o limbo não só é um prisão espacial como temporal)  numa girândola sem fim inventando mil artimanhas e estratégias para pegar o papa-léguas e no final, não conseguindo ainda se ferra de verde e amarelo (ou de estrelas e listras) e depois começa tudo de novo, tendo por único cenário o quênio percorrido pelas estradas asfaltadas de algum lugar indefinido nos EUA.
 É igual a maioria dos seriados de televisão que possuem premissas recorrentes. Como no seriado antigo do Batman que era aprisionado em um armadilha pelo supervilão e sempre escapava para no final cair numa nova armadilha para escapar no episódio seguinte. Como também nos programas humorísticos com seus bordões repetitivos. No caso do Papa-léguas imagino o que aconteceria se uma coiote fêmea aparecesse no sistema como um trojan, dentro da história. Quebraria as rotinas da narrativa.
 O Desenho da Caverna do Dragão também era um limbo com ciclos e rotinas permanentes, inclusive aventou-se a hipótese de os meninos estarem mesmo no inferno.  Embora seja um limbo o mundo da Caverna do Dragão varia em locações, em personagens, em eventos, sendo mais aberto, com mais diversidade. Vários níveis acima de Papa-léguas. Poderia sistematizar os desenhos animados e classificar em níveis ou estágios límbicos, mas deixo para o leitor. Tentei fazer apenas este gráfico:
 A biota cibernética, o sistema ecológico terrestre, é um limbo preso em ciclos e rotinas e nosso corpo está preso a este sistema. Nossa mente (alma) quando erámos bebês saiu de um limbo de insconciência e se ampliou desmesuradamente. As agressões do mundo externo objetivo, gerou em nossa psique mecanismos de defesa freudianos que podem crescer  englobando toda a psique e aprisionar nossa mente em ciclos e rotinas neuróticas e psicóticas. Os mecanismos de defesa podem implodir nossa psique. Podem nos cercar e constranger nos aprisionando num limbo psicológico, nos fazendo regredir  a estágios anteriores no desenvolvimento mental.
O caráter e a personalidade são prisões imanentes para as pessoas, elas estão presas a si mesmas a sua identidade, ao seu estilo, advindos pela repetição de atos ao longo de anos.
Somente conhecendo a  nós mesmos, podemos transcender-nos, somos presos pelos  nossos hábitos, sentimentos e pensamentos, a partir do momento em que saimos de nós mesmos e contemplamos estes ciclos e rotinas, escapamos da prisão imanente, transcendemos o LIMBO criatural da fatalidade intrinseca da vida.
Uma obcessão é análogo no mental a um local límbico, a pessoa fica presa num curto-círcuito cognitivo. (eu tinha uma denominação própria para isto, CIRENGRAMA, ou engrama circular.) Uma pessoa que sofreu uma grande injustiça e ficasse obcecada com a vingança, congela no tempo, vive aquele momento de vitimização como se fosse um momento eterno congelado, um episódio atomistíco irrelacionado como os autistas, que  vivem num limbo relacional. O eu solipsista cartesiano pode ser uma prisão límbica, num presente perpétuo. A palavra limbo vem do latim limbus, que quer dizer fronteira, borda. Se colocarmos o SER no centro de tudo, aqueles seres que estiverem mais distantes do ser e  próximos ao não-ser, estarão nesta borda límbica. A própria autoconsciência é já uma transcendência do sujeito, o conhecer o próprio ato de conhecer é já uma ampliação de essência. É quebrar a rotina...




ABSOLUTUM

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

ENSAIO 03/2010

A SALVAÇÃO PELOS PEQUENOS EM STAR WARS

Fui um grande fã de Guerra nas Estrelas ou no inglês Star Wars. Não sou bom de inglês mas acho que Guerras Estelares também seria um bom título. De todos os filmes de ficção científica este foi meu favorito. Depois vim saber que esta película tinha por trás referências mitológicas e era  em si uma nova mitologia moderna.
Depois de muito tempo (décadas) vim saber também que o verdadeiro protagonista do filme, não era Luke ou Léia, mas sim o pai deles, Vader. Vim a saber na conclusão do filme, depois dos três episódios últimos, mas primeiros na ordem cronológica interna do filme, que a queda e regeneração moral de Anakin Skywalker  era o fio lógico que percorria toda a trama. Vim a saber também que assim como o filme Duna de Frank Herbert tinha como um de seus elementos fortes referências a cultura e religião árabe/islâmica, Star Wars fazia alusões aderentes a cultura  indiana, como a cremação dos cadáveres, e a religião Hindu/budista. (Onde então está a ficção científica em  homenagem ou simplesmente com elementos alusivos ao judaísmo, ou cristianismo, ou então a cultura judaico-cristã? Quem preencherá esta lacuna? C. S. Lewis esta mais para Ficção Fantástica. Veja aqui a diferença em FILOSOFIA DA FICÇÃO CIENTÍFICA).
 Por falar em religião  descobri também que este componente místico era o tempero que dava aquele “sabor” romântico que faltava a séria Jornada nas Estrelas, ou Star Trek, este muito cerebral, muito científico (na definição de Olavo de Carvalho – CIÊNCIA = “conhecimento experimental materialista” ), sem nada de metafísico ou espiritual como Jedis, a Força, “aquele que trará equilíbrio à Força” em Star Wars, ou Tempero/Especiaria/Condimento, “o adormecido deve despertar” em Duna. Esta assepsia de algum componente esotérico em Jornada, me fazia colocá-lo em segundo lugar na hierarquia de importância. Sem mística, sem componentes intuitivos/misteriosos um filme ou até mesmo a própria vida se torna tão delicioso como mastigar um pedaço de isopor com a forma de um queijo.
 Bem, tendo assistido incontáveis vezes os episódios de Star Wars, lido muito a respeito, inclusive um livro chamado a Ciência de Star Wars de Jeanne Cavelos, nunca vi ninguém falar de outro fio condutor, ou outra trama paralela que faz parte deste filme. Na verdade não é uma trama paralela propriamente dita, mas uma estratégia, uma válvula de escape, ou até mesmo uma lição de moral, que podem incluir esta franquia em uma fábula. Notei que este elemento adicional do filme acontece não somente nos antigos episódios, como nos últimos I, II e III, destacando a identidade estrutural dos novos com os velhos episódios. Dando a idéia de que todos os seis episódios são mesmo do mesmo filme. Parece até que com esta estratégia George Lucas quer nos transmitir uma mensagem. Mas observando melhor, este mecanismo ocorre em uma miríade de filmes além da ficção cientifica e talvez seja um instrumento cinematográfico de surpresa, de suspense.
Bem, sem mais delongas, o assunto de que trato aqui é o fato de nos filmes estelares de George Lucas, quando se instala o conflito entre antagonistas e protagonistas, e a situação começa a ameaçar seriamente a  Aliança Rebelde e as vezes vemos que a situação se torna terminal para Luke, Han, Leia e tutti quanti,eles repentina e surpreendentemente são salvos pelas criaturas menos importantes, pelos personagens coadjuvantes, pelos pequeninos. Vemos isto em todos os episódios, os velhos e os novos. Se isto foi consciente ou inconscientemente  eu não sei, mas está lá. Quando o poderoso Império Galáctico está prestes a destruir a Aliança, o escape é proporcionado por um personagem insignificante na narrativa.
O campeão de salvamento das situações é o pequeno faz-tudo, canivete-suíço, R2D2.
Em todos os episódios sua ação benigna em um detalhe, que se expande em ondas concêntricas e beneficia todo a Galáxia é simplesmente impressionante. Os republicanos deveriam colocar imensas estátuas do droidezinho por toda a Galáxia. E deveria ser homenageado  como o maior herói de Star Wars. Este robozinho, que se comunica por estalos e apitos, logo no episódio A Ameaça Fantasma, Star Wars I, entra em cena pela primeira vez já salvando a nave da Rainha Amidala, que por ter os escudos defletores danificados, estava prestes a ser destruída pela Federação do Comércio. A pequena lata mecânica é elogiada pelo Capitão Panaka(?) e a Rainha.
Esquecendo um pouco nosso heróizinho e lembrando dos micro-agentes salvadores  percebemos que quando os Jedis  Qui-gon e seu aprediz Obi-Wan descem a superfície da planeta Naboo são salvos da ameaça das máquinas da Federação pela ajuda semi-voluntária de Jar Jar Binks que os guia até a civilização subaquática dos Gungans, fazendo um link dos gungans com o restante da trama. Notamos também que mais a frente, após pousarem com a nave danificada em Tatoine só conseguem as peças para concertarem a nave e continuarem com sua missão após a entrada em cena de Anakin Skywalker que vence a corrida de pots, ganha as peças e a liberdade.

Um menino é a via de salvação para os poderosos Jedis. Quando os ridículos dróids do Vice-rei invadem o planeta Naboo, a ajuda para a Rainha e os Jedis vem dos “inferiores” Gungans. Mas sua ajuda é só um paliativo, quem salva tudo mesmo é o pequenino Anakin, que de dentro de uma nave destrói a estação espacial que controlava os dróides incapacitando todo o exército e dando a vitória para os Naboos em um único lance. Anakin vai no ponto-chave, sem essa ação no detalhe, o todo estaria comprometido. No episódio I, os maiores heróis, cujo pequeno ato na parte que se expande para o conjunto e salva toda a trama são R2 e Anakin Skywalker. Todas as demais batalhas, mesmo a magnifica luta de Qui-gon e Obi-wan contra o Sith com sabre de luz duplo, ganhando-se ou perdendo-se, falando em termos estratégicos, não teriam maiores consequências para a guerra.
No episódio II, quando a senadora Amidala está prestes a ser picada por vermes monstruosos é o pequeno R2 o primeiro a dar o alarme e tentar salvar a mesma eletrocutando alguns vermes. O dardo que o caçador de recompensas, Jango Fett usa para matar o transmorfo assassino, é a peça, o detalhe ínfimo sem o qual Obi-wan nunca teria descoberto o exército de Clones e assim no final ter podido salvar os Jedis acuados na arena de sacrifícios pelos pelotões do Conde Dukan. Sem a ajuda do cidadão comum, a criatura de quatro braços, dono da lanchonete, que era amiga de Obi-wan, isto não poderia ter acontecido. Alguém de fora de todo o conflito, com uma simples informação, dá o empurrãozinho que num crescendo proporciona toda uma nova dinâmica que no fim reverte em vitória para os mocinhos. E fiel a fábula George-luquiana é um pequeno padawan quem responde a pergunta essencial para a localização do planeta aquático onde os clones estão sendo produzidos (reproduzidos). Não sei se a cena foi feita com este propósito consciente, mas demonstra mais um vez o mote de que : A SALVAÇÃO VEM PELOS PEQUENINOS.
No episódio III, a Vingança do Sith, o elo de ligação dos episódios velhos e novos, vemos o mesmo tema se repetindo, desta vez numa situação similar ao episódio VI, O Retorno de Jedi. Mas antes um pouco de Starwarslogia. Os dois últimos episódios das duas fases, o III e o VI, apresentam algumas semelhanças. Na verdade inicialmente o Retorno de Jedi, seria A Vingança de Jedi, mas devido a polêmica da questão ética de um Jedi se vingar, o nome foi mudado. Os dois episódios são os mais sombrios, mais tenebrosos, densos emocionalmente. E expõem novamente R2 salvando a cena. Quando Anakin (proto-Vader) esta detido pelos guardas de Dukan, na nave em que Palpatine era supostamente refém, é R2 que ejetando de si o Sabre de luz para ser apanhado no ar por Anakin, salva a situação, numa cena semelhante a quando no  episódio VI, Luke e Han no poço do Sarlacc sob custódia de Jabba the Hut, prontos a serem devorados, são salvos pela ejeção inesperado do sabre de Luke, que a partir deste toque inicial, inverte toda a trama e destrói Jabba, o horrendo.
Em Uma Nova Esperança, episódio IV, quando nós, os mais velhos, vimos R2D2 pela primeira vez na vida, é ele o responsável, involuntariamente, é verdade, de guardar a mensagem que será o vínculo tênue entre Obi-wan e Luke com a Aliança Rebelde. A princesa Léia prisioneira de seu próprio pai (ele estava pertinho dela, não sentiu nada?) tinha colocado uma mensagem para Kenobi juntamente com os planos para a primeira Estrela da Morte no robô. R2 já entra no filme como um peão, mas com valor de um rei, que possibilita a dinâmica de todo o restante do enredo. Após a Mileniun Falcon se capturada pelo raio trator da estação da morte, é R2 que plugado ao sistema da Estrela da Morte descobre que a princesa é prisioneira ali e qual a sua localização onde estava aguardando execução. Quando na tentativa de salvar a princesa, Luke e Han estão presos dentro do compactador de lixo da Estação espacial  quem é o responsável pelo salvamento dos Heróis?  Sem a ajuda providencial do robozinho, o Jedi e o contrabandista teriam sido esmagados. A princesa não teria sido salva, os planos da Estrela da Morte não teriam ido parar nas mãos dos Rebeldes e a Estação espacial teria destruído o planeta base da Aliança. É ou não é o maior herói de Guerra nas Estrelas?
Em O império Contra-Ataca, episódio V, nosso herói tira uma licença de suas atividades. Licença entre “aspas” pois ele está ali sempre presente na trama. Mas não consigo me lembrar de nenhuma micro-ação sua que trará consequências gerais.  Escrevo de memória e no momento não tenho acesso a este episódio para assisti-lo com atenção. Mas me lembro que ele acompanha Luke até o planeta Dagobah como Astrodróide de navegação. E lá, é ele que informa Luke sobre a presença de Yoda. No começo do filme quando Luke está lá fora da base na tempestade gelada do “antártico” planeta Hoth, R2 fica de prontidão com seus sensores procurando traços de vida. Nada de consequências portentosas para a narrativa é claro. É ele também que com aquela sua ferramenta de plug, abre algumas portas, no meio do fogo cruzado dentro da cidade nas nuvens de Bespin.
Finalmente em O Retorno de Jedi, além da cena da ejeção do sabre para Luke, ele salva toda a Aliança Rebelde e a República quando abre a porta  da estação geradora do escudo direcionado  à Death Star, para a fração de tropa na lua de Endor. Os rebeldes desligam o gerador, que vulnerabiliza a estação que é atingida no coração por Lando Calrisian  pilotando a Falcon. Uma açãozinha que provoca uma reação em cadeia num crescendo afetando o macro.
Mas há neste episódio uma interferência benfazeja para a aliança por parte de criaturinhas outras também. Sem a ajuda dos Weoks, a fração de tropa rebelde não conseguiria escapar da rendição e desligar o gerador. O futuro da Galáxia ficou por algum  tempo nas mãos dos pequeninos.
Uma criaturinha que nem vida tem, que não é nem mesmo um antróide, sem nada de humanóide, na forma ou na linguagem, sem braços nem pernas para poder agir. Que foi cuspida pelo monstro de Dagobah, gosto ruim sem dúvida,  se mostra assim um símbolo de uma palava esquecida: lealdade. C3PO nada faz o filme inteiro a não ser reclamar, e em alguns casos traduzir. O que é uma repetição de um sinal em outro código, algo passivo. Nada agente ou própio de um sujeito.  Dizem que ele exerce na trama a função de bobo, mais R2 para aliviar as tensões da trama. Não acho R2 tão cômico assim. Bravo R2!

Todas estas cenas me fazem lembrar daquele adágio de que por causa de um prego, perdeu-se uma ferradura..... que perdeu-se uma guerra. E da influência do micro no macro. Me recorda aquela teoria de que se o nariz de Cleópatra fosse um pouquinho diferente, a história seria outra. Me faz rememorar o tiro dado em 1914 no Arquiduque Ferdinando, por um anarquista que desencadeou a grande guerra, depois conhecida por I Guerra Mundial. Me lembra também do argumento de um soldado no filme O Resgate do Soldado Ryan, onde ele diz que por ser um bom atirador, um sniper, bastaria uma oportunidade para ele colocar Hitler na sua linha de visada e todo aquele esforço extênuo de guerra seria desnecessário. E também daquela história da borboleta que produziu um furacão. Me lembra também do beijo de Judas Iscariotes que gerou numa reação em cadeia tudo o que nós bem sabemos. Me recorda do guru neurolinguista Lair Ribeiro que dizia que Deus está no detalhe, a diferença está no detalhe. Um pequeno reajuste ínfimo pode modificar toda uma trajetória. Me lembra também que após contemplar meu filho caçula por alguns meses, resolvi para de beber definitivamente, por querer lha dar um bom exemplo. É a força de um pequenino. Seja um pesamento, uma intuição, um gesto, um pequeno comentário. Para o bem ou para o mal. Não sei se este é um recurso técnico-cinematográfico ou se George Lucas quis passar algo mesmo.
Terminando, as Escrituras afirmam : “Não desprezeis o dia das coisa pequenas” (Zacarias 4:10)

-Providencie um polimento e um banho de óleo ao dróide!

ABSOLUTUM
Post Script:
Isso tudo que escrevi acima me lembrou de uma coisa no I Ching
deste hexagrama:

"O PODER DE DOMAR DO PEQUENO"

 O hexagrama apresenta o poder do pequeno, retendo e freando. Uma linha fraca ocupa a quarta posição, limitando assim todas as demais linhas fortes. Como imagem natural, representa o vendo, agindo com seu sopro para reter as nuvens, porém não tendo força suficiente para transformá-las em chuva. A configuração momentânea do forte sendo temporariamente contido pelo mais fraco é a tônica do hexagrama. (VEJA AQUI)
ABSOLUTUM  em 04 de Agosto de 2011.